terça-feira, 31 de julho de 2012

Renascimento na Itália

O Renascimento integrou-se na vasta cadeia de transformações que assinala a transição do período Medieval para os tempos Modernos - na Europa Ocidental - na medida em que temos o Renascimento comercial; o crescimento das cidades e sua urbanização; a centralização do poder político nas mãos do rei; o crescimento e a ascensão da burguesia.

Sendo assim, o Renascimento teve origem na Idade Média, século XVI, na Itália, atingiu a plenitude entre os séculos XV e XVI, entrando em decadência em meados do século XVII.

O movimento renascentista teve inicio na Itália, devido ao florescimento do comércio em fins da Idade Média, que beneficiou especialmente as cidades italianas, mas por sua vez esse "renascimento comercial" provocou enorme surto econômico que veio a ser base do "renascer intelectual", que se verifica nos séculos XV e XVI, onde temos o período mais fértil em produtividade de obras e autores do Renascimento. Renascimento é um termo inexato, uma vez que pressupõe a morte da cultura no período medieval, o que não ocorreu, nem mesmo em relação à cultura clássica, pois nas escolas das catedrais e nos mosteiros estudavam-se os autores latinos e os gregos.
O que temos é que no século XIV houve uma revivificação dos estudos greco-romanos, em todos os sentidos, levados a efeito pelos humanistas, que opunham a tradição clássica ao universo medieval - repúdio aos ideais medievais - filosofia escolástica, negligência do espírito crítico, supremacia das interpretações teocêntricas, etc. Assim, os humanistas preparam a Renascença ao adotarem uma nova concepção do homem e do mundo - antropocentrismo, em oposição ao teocentrismo. Agora o homem passava a encarar-se como "medida comum de todas as coisas", procurando um novo estilo de vida - classicismo - abandonando o cotidiano estreito e mesquinho do ambiente medieval.
Todavia, os humanistas da Renascença equivocaram-se ao considerar sua época totalmente desvinculada dos valores medievais, uma vez que a civilização da Renascença tem suas raízes nas transformações de todas as ordens, que se processavam na Baixa Idade Média. Mesmo a influência bizantina e sarracena, comum ao movimento renascentista, é fruto de uma cultura elaborada no período medieval.

Abaixo estão relacionados os precursores do Renascimento:

- Dante Alighieri  (1265-1321), autor de "Divina Comédia, marco da criação da literatura moderna, escrita em dialeto toscano, que substituiu o latim nas escrituras italianas. Fez críticas ao comportamento eclesiástico, cita autores da Antiguidade clássica, mas ainda possui inúmeras características da mentalidade e da expressão medieval. Para Dante, o homem "é um homem de dois mundos, pois ao mesmo tempo em que resume a civilização medieval, sintetiza todas as perplexidades que assinalarão e dignificarão o homem moderno."

Giotto (1276-1236), com ele a pintura rompeu o imobilismo da tradicional pintura medieval e alcançou a posição de arte independente da arquitetura, humanizando suas figuras e dando-lhe características individuais e naturalistas. Ele procura destacar o volume de suas imagens em toda a grandeza de sua tridimensionalidade, dando-lhe efeito de profundidade em suas composições. Cria
uma nova concepção do espaço em profundidade, ou em perspectiva - "ver através". Dentre suas obras, destaca-se: "São Francisco pregando aos pássaros" e "Cenas da vida de Cristo".

Petrarca (1304-1374), criador da poesia lírica moderna, denominado pai da literatura renascentista italiana. No entanto, no seu poema "Odes a Laura", há resquícios de religiosidade medieval e seus sonetos estão impregnados de traços das poesias amorosas produzidas pelos trovadores das canções dos cavaleiros medievais; na obra épica "De África", ele inspirou-se nos clássicos greco-latinos.

- Boccaccio (1313-1375), criador da narrativa em prosa artística dos novos tempos. Sua obra "Decameron" conta de cem contos curtos, narrados por um grupo de jovens, enquanto fugiam de Florença, assolada pela peste de 1348. Esse conjunto de contos expressa a crise de valores da sua época, evidenciando o anticlericalismo e a utilização do elemento erótico e picaresco.
Também se deve a outros vários fatores, entre eles:
- maior influência da cultura bizantina e sarracena;
- tradição clássica, contando com grandes quantidades de obras clássicas em território italiano, especialmente em Roma, isto mantinha nos italianos a crença de que eram descendentes dos antigos romanos;
- Universidades voltadas para o estudo do Direito e Medicina, sem interferências eclesiásticas;
- a riqueza das cidades italianas, que monopolizavam o comércio mediterrâneo;
- O incentivo dos "Mecenas" (protetores das artes e dos literatos de uma maneira geral), normalmente ricos comerciantes (burguesia mercantil), que ocupavam posições de destaque nas repúblicas italianas, ou elementos do Clero (papas, especialmente). Destaca-se, entre outros, Lourenço de Medici (Florença), Francesco Sforza (Milão), os Estes (Ferrara) e os papas Nicolau V, Pio II, Júlio II
e principalmente Leão X. A influência dos mecenas foi imensa e de inestimável valor à projeção cultural do Renascimento, o que evidencia o caráter estilista deste movimento.

Para Nicolau Sevcenko: "É por trás desse panorama tempestuoso que se desenvolve a cultura renascentista, voltada para os princípios do equilíbrio, da harmonia, do naturalismo, da economia, do espaço, da forma e da luz; para a racionalidade e a homogeneidade, enfim. Nesse período de caos e opressão, seu compromisso era com a ordem e a liberdade do espírito humano. (...)

Quem a alimentava era a prosperidade mercantil, daí ela estar comprometida com a atitude racional, projetiva, econômica, organizadora, mas também agressiva, conquistadora, sequiosa de independência, de espaço, de saber e de distinção."

O Renascimento italiano é dividido em três fases, cada uma correspondendo a um período de um século:

O Trecento, também denominado de período "Pré-renascimento", fase inicial da cultura Renascentista, destacando-se na literatura, Dante Alighieri, Petrarca e Boccaccio e na pintura, Cimabue, Duccio e Giotto. Essa fase é marcada ainda por fortes elementos medievais, com os pintores, principalmente Giotto, teremos um novo estilo de composição: abandona-se o hieratismo e a rigidez do estilo bizantino e explora-se a mobilidade, cromatismo e a espacialidade do estilo gótico.

O Quattrocento é a época das grandes realizações do Renascimento, nele Florença tem a hegemonia incontestável da cultura renascentista italiana e européia.

Introdução na Itália da pintura a óleo, permitindo progressos artísticos. Destacaram-se Masaccio, Sandro Botticelli, Leonardo da Vinci, Ticiano e Tintoretto.

- Masaccio, influenciou a pintura a romper com resquícios da arte medieval. Quadros: "A expulsão de Adão e Eva do paraíso" e "Tributo".

- Sandro Botticeelli, conciliou o paganismo clássico com o cristianismo. Quadros: "Nascimento de Vênus" e "Alegoria da Primavera".

- Leonardo da Vinci, humanista convicto, gênio renascentista, uma vez que foi pintor, escultor, músico, arquiteto, matemático, filósofo e inventor. Quadros: "Monalisa" (Gioconda), "Virgem dos Rochedos" e "Última Ceia".

- Ticiano, foi exclusivamente pintor de admirável fecundidade, pintou temas religiosos, mitológicos e foi um dos maiores retratistas do Renascimento. Quadros: "Medea e Vênus", "Vênus e o Cupido e "Descida da Cruz".

O Cinquecento, período em que as obras artísticas atingiram seu mais elevado grau de elaboração. Porém, como estamos no século XVI, as cidades italianas enfrentam dificuldades econômicas em virtude da expansão marítima e comercial, realizada por Portugal e Espanha, provocando a troca do eixo econômico do Mediterrâneo pelo Atlântico, rompendo o monopólio comercial das especiarias turco-italianas.

Fase em que a língua italiana, já sistematizada, adquiriu a mesma importância que o grego e o latim, tivemos destaque das obras literárias dos autores:

- Torquato Tasso, autor de "Jerusalém Libertada"

- Ludovico Ariosto, autor de "Orlando Furioso"

- Nicolau Maquiavel, o autor mais polêmico deste período, entre suas obras estão:
"Mandrágora" (peça de teatro), "Discurso sobre a década de Tito Lívio" (história) e "O Príncipe", em que temos a base teórica da organização política do Estado Moderno, onde o autor faz a pregação de um Estado unificado, com poder político forte e centralizado, liberto da tutela da Igreja.

Neste período, o Cinquecento, a arte renascentista, ao mesmo tempo que atingia seu apogeu, começava a mostrar sinais de decadência, agora a capital cultural era Roma, destacando-se Rafael de Sanzio e Miguel Angelo (Michelangelo).

- Rafael de Sanzio, sua pintura é algo mais suave, mais simples. A forma e a cor são importantes em si mesmas. Quadros: "Escola de Atenas" e "Madona Sistina".

- Miguel Angelo, foi o maior pintor e escultor desse período. Na pintura destaque para os afrescos da Capela Sistina, temas cristãos, onde as figuras possuem extraordinária beleza e opulência, destacando-se "O Juízo Final" e a "Criação de Adão". Na escultura, temos: "Escravo Acorrentado", "Moisés", "Davi" e "Pietá".

A partir da metade do século XVI, o Renascimento entrou em decadência na Itália, pois a expansão marítima e comercial (grandes navegações) fez com que o centro econômico europeu fosse transferido para o Atlântico, arruinando o monopólio econômico dos turco-italianos no Mediterrâneo. Outro fator decisivo foi o advento da Contra-Reforma, que indispunha contra as manifestações culturais renascentistas.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Renascimento: suas origens e características

O Renascimento não foi um movimento que surgiu da noite para o dia; ele foi preparado por uma série de acontecimentos que, conjugados e articulados, criaram elementos vitais para o início do movimento renascentista cultural.

Dentro desses acontecimentos temos:

- o econômico: o renascimento comercial que reativou o intercâmbio cultural entre  o Ocidente e o Oriente;
- o social: a urbanização, a ascensão social e econômica da burguesia gerou um apoio financeiro;
- mecenato: aos renascentistas; deste modo, no conjunto de sua produção, começaram a sobressair valores modernos, burgueses, como o otimismo, individualismo, naturalismo, hedonismo e o neoplatismo;
- o intelectual: os estudos das obras clássicas greco-romanas foram retomados pelos humanistas, que num grande movimento de entusiasmo, criaram uma cultura nova, endereçada à um imenso público de leigos esclarecidos e se difundiu graças à intenção de imprensa. Assim, podemos dizer que o elemento central do  
Renascimento foi o humanismo, pois segundo Edward Burns: "o humanismo pode ser definido como a glorificação do humano e do natural, em oposição ao divino e extraterreno. Assim concebido, foi ele o coração e a alma da Renascença, uma vez que incluía, praticamente, todos os outros ideais já mencionados. O humanismo também tem o sentido mais restrito de entusiasmo pelas obras clássicas".

Desta forma, a cultura leiga e humanista opunha-se à cultura teocêntrica do mundo
medieval. Garimpando elementos da cultura grego-romana, o Renascimento foi um movimento de manifestações artísticas, filosóficas e científicas no novo mundo urbano e burguês.

domingo, 29 de julho de 2012

O Hoje e o Ontem do Renascimento

- Mas de que forma o conhecimento da cultura renascentista pode auxiliar no entendimento do presente, do hoje?

Para o historiador Nicolau Sevcenko: "A história da cultura renascentista nos ilustra com clareza todo o processo da construção cultural do homem moderno e da sociedade contemporânea. Nele se manifestam, já muito dinâmicos e predominantes, os germes do individualismo, do racionalismo e da ambição ilimitada, típicos de comportamento mais imperativo e representativo do nosso tempo. Ela consagra a vitória da razão abstrata, que é a instância suprema de toda a cultura moderna, versada no rigor das matemáticas que passarão a reger os sistemas de controle do tempo e do espaço, do trabalho e do domínio da natureza. Será essa mesma razão abstrata que estará presente tanto na elaboração da imagem naturalista pela qual é representada o real, quanto na formação das línguas e na própria constituição da chamada identidade nacional. Ela é a nova versão do poder dominante e será consubstanciada no Estado Moderno, entidade racionalizadora, controladora e disciplinadora por excelência, que extinguirá a multiplicidade do real, impondo um padrão único, mono político e intransigente para o enquadramento de toda sociedade e cultura. Isso contraditoriamente, fará brotar um anseio de liberdade e autonomia de espírito, certamente o mais belo legado do Renascimento à atualidade."

domingo, 22 de julho de 2012

O Renascimento

Conceito:

"O Renascimento -  segundo Nicolau Sevcenko - constitui uma das mais fascinantes aventuras intelectuais da humanidade." Pois, " esses homens - renascentistas - deixados sob condições de relativa liberdade para que apontassem novos rumos e valores à uma sociedade em processo rápido de mudanças, (...) viveram uma experiência soberana de criação e puderam provar o gosto amargo, porém único, de serem livres."

Para Hendrick W. V. Loon: "A palavra Renascença data do século XVI. (...) uma ressurreição regular - um renascimento do espírito humano (...) essa renascença nunca se verificaria em parte alguma, sem um prévio reflorir da carteira.

E, se me perguntardes de que se originou a Renascença, terei de vos responder: A Renascença foi o resultado do triunfo do comércio baseado na moeda e no crédito sobre o antigo sistema medieval de tráfico de permuta.

Houve muitas outras causas, acessórias. A Renascença nunca se verificaria, no entanto, sem um rápido aumento de prosperidade - e consequentemente de prestígio social e político."

Podemos definir o Renascimento como o primeiro momento revolucionário da construção da cultura da classe burguesa, que teve continuidade com a Reforma Religiosa e que atingiu seu ápice nos séculos XVII e XVIII, com o iluminismo inglês e francês.

A palavra Renascença - para E. H. Gombrich - significa renascer novamente ou ressurgir, e a ideia de tal renascimento ganhou terreno na Itália desde o tempo de Giotto. Quando as pessoas desse período queriam elogiar um poeta ou um artista, diziam que sua obra era tão boa quanto a dos autores antigos da Grécia e de Roma.

Para o historiador Jobson Arruda: "A denominação Renascimento foi resultado da preocupação dos homens que viveram esta evolução cultural, em aproximar a sua época da antiguidade."

Mas não querendo dizer que o Renascimento foi uma volta à cultura clássica, greco-romana, pois a cultura tem como principal característica a contínua recriação, assim dizemos que o Renascimento inspirou-se nos ideais estéticos gregos e romanos, mas sua arte guardava uma evidente originalidade, refletindo situações de vida bem diferentes.

O Renascimento foi um movimento de renovação no plano específico da cultura, um renascer intelectual: artístico, literário, filosófico e científico.

 Não há, portanto, para Nicolau Sevcenko, um Renascimento, há múltiplos. Inclusive havendo uma "rica variedade das suas manifestações, assemelhadas algumas práticas e produções entre si, contrastantes outras (...). O Renascimento, ou os renascimentos, essa prodigiosa riqueza de manifestações variadas e divergentes, presta-se de maneira excepcional, neste caso, como uma lição sobre a vitalidade incontrolável da cultura humana, quando atravessada por um sopro ou um anseio geral de liberdade."

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Romantismo no Brasil (2° metade do séc XIX)

Este movimento originou-se na Europa, mais especificamente em Portugal. O Romantismo foi dividido em três fases:

1° fase:
Composta por:
*nacionalismo: expressa pelo indianismo, e pela a exaltação da paisagem brasileira.
*saudosismo: expresso pelo sentimento e lembrança da infância e da pátria do poeta.
*religiosidade: ligados a traços religiosos.

2° fase:
Esta fase é relacionada ao "mal-do-século" ou ultrarromantismo, que expressa sofrimento, melancolia, angústia e dor. Há uma fuga do real para o sonho, para a fantasia. Existe uma obsessão pela morte, há uma atração pela paisagem sombria e negativa, chamada de "Lirismo da Descrença".

3° fase:
Essa fase é associada a decadência da monarquia, e as lutas abolicionistas, ou seja, nesta fase, os fatos sociais e políticos ganham relevância nas obras poéticas de alguns autores, pois o destaque aqui é falar do sofrimento alheio, principalmente do sofrimento dos escravos. Um dos poetas brasileiros mais importantes dessa fase foi Castro Alves, que ficou conhecido como o poeta dos "escravos".

Os principais poetas do Romantismo Brasileiro foram:

- Antônio Gonçalves Dias
- Cassimiro de Abreu
- José de Alencar
- Álvares de Azevedo
- José Manoel de Macedo

As principais características do Romantismo:

1)Liberdade de Criação: O artista rompe com as regras pré-estabelecidas antes pelos modelos clássicos greco-romanos.
O artista tem liberdade para criar sua obra sem preocupações com regras.


2)Sentimentalismo: Os poetas românticos elevavam o sentimento além da razão, para eles falar de sentimento era mais importante, por este motivo eles falavam do estado da alma.

3)Idealização da Mulher: A mulher é vista como uma criatura sublime, divina, como a mais pura das criaturas, a mulher era envolvida em atmosfera de mistério.

4)Supervalorização: o poeta coloca em sua obra a importância do amor, o qual é a
essência da vida, perdê-lo traz como consequência o suicídio, a morte, a loucura, ou seja, sem amor não existe motivo para viver.

5)Mal-do-Século: Essa expressão aproxima-se do termo inglês que significa melancolia, depressão, nervosismo, mal humor, morte. O mal-do-século originou-se de dois fatores.
- Um deles é a constatação de que embora, o ser humano busque sempre a perfeição, o absoluto, o divino, o homem não pode alcançá-lo.
O outro fator é: desajuste do indivíduo na sociedade burguesa que é prática e objetiva em relação ao sentimento romântico. Esse desajuste provoca pessimismo em relação a sociedade e a si mesmo, prazer em sentir-se melancólico , e a sofrida busca da solidão. Também em decorrência desse desajuste ocorre a evasão da realidade.

6)Evasão: é a fuga da realidade e ocorre em três níveis: Tempo, Espaço e Sonho.

1- Tempo: O escritor recorre ao passado individual sua infância e adolescência.
2- Espaço: O poeta constrói o espaço em sua obra, da seguinte forma, paisagens brasileiras.
3- Sonho: é a fuga da realidade para a fantasia, para o "devaneio".

7)Regionalismo: Também no Romantismo Brasileiro, houveram traços regionalistas, ou seja, a paisagem do sertão nordestino, o modo de vida cultural e língua.

1° Geração do Romantismo Brasileiro
Antônio Gonçalves Dias
Os temas de sua poesia são: amor, mulher, natureza e índio.

Canção do exílio

Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.

Nosso céu têm mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o sabiá.

Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar - sozinho, à noite -
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o sabiá.

domingo, 15 de julho de 2012

Figuras de Linguagem

1. Comparação: consiste em estabelecer, entre dois seres ou fatos uma relação de semelhança, atribuindo a um deles características presentes no outro.

"Minha dor é inútil
Como uma gaiola numa terra onde não há pássaros."

2. Metáfora: emprego de uma palavra com sentido diferente do sentido usual, a partir de uma comparação subentendida entre dois elementos.

"O circo era um balão aceso com música e pastéis na entrada."
"A história é um carro alegre cheio de um povo contente..."


3. Catacrese: consiste em denominar algo (um objeto, uma ação etc.) usando impropriamente uma determinada palavra, por não haver outra mais adequada.

-Uma perna da velha mesa está quebrada.
-Para temperar a carne, o cozinheiro usou alguns dentes de alho.
-Logo que os passageiros embarcaram, o avião decolou.

4. Metonímia: substituição de uma palavra por outra, quando entre elas existe uma proximidade de sentidos que permite esta troca.

O estádio aplaudiu muito os dois times (estádio substitui torcedores. A troca foi possível porque o estádio contém torcedores.)

Tudo o que ele tem foi conquistado com seu próprio suor (suor - o efeito substituiu trabalho - a causa...)

Na torre da igrejinha, o velho bronze soava melodicamente. (bronze - o material substitui sino - objeto feito de bronze).

Ele gosta de ler Machado de Assis. (Machado de Assis - o autor substitui a obra)

5. Personificação: consiste em atribuir a seres inanimados; ou em atribuir características humanas a seres irracionais.

"Árvores encalhadas pedem socorro."
"O céu tapa o rosto."

6. Antítese (e paradoxo): consiste no uso de palavras (ou expressões) de significados opostos, com a intenção de realçar a força expressiva de cada uma delas.

"Dia ímpar tem chocolate
 Dia par eu vivo de brisa
 Dia útil ele me bate
 Dia santo ele me alisa

 Longe dele eu tremo de amor
 Na presença dele eu me calo
 Eu de dia sou sua flor
 Eu de noite sou seu cavalo
                                 ( Chico Buarque)

obs: Paradoxo é um tipo particular de antítese em que as palavras opostas exprimem ideias que se negam reciprocamente. Isso ocorre, por exemplo, na expressão "Claro enigma", título de um livro de Carlos Drummond de Andrade.

"Amor é fogo que arde sem se ver;
 É ferida que dói e não se sente".
                                 (Camões)

7. Hipérbole: exagero intencional, com a finalidade de intensificar a expressividade e, assim, impressionar o ouvinte (ou leitor).


"Se eu pudesse contar as lágrimas que chorei na véspera e na manhã, somaria mais que todas as vertidas desde Adão e Eva".
                                  (Machado de Assis)

8. Eufemismo: figura por meio da qual se procura suavizar, tornar menos chocantes palavras ou expressões que são normalmente desagradáveis, dolorosas ou constrangedoras.


João partiu desta para uma melhor.
O rapaz era amigo do alheio.


9. Ironia: figura por meio da qual se enuncia algo, mas o contexto permite ao leitor (ou ouvinte) entender o oposto do que se está afirmando.


"Moça linda, bem tratada,
 Três séculos de família,
 Burra como uma porta:
 Um amor"!


10. Gradação: consiste em uma série de palavras ou expressões em que o sentido vai se intensificando continuamente.


"Seu Irineu pisou no prego e esvaziou. Apanhou um resfriado, do resfriado passou a pneumonia, da pneumonia passou ao estado de coma e do estado de coma não passou mais. Levou pau e foi reprovado".


11. Onomatopeia: recurso de expressão por meio da qual se procura reproduzir determinado som ou ruído.


"A gente tirava a roupa inteirinha, trepava no barranco e tichbum - baque gostoso na água."


12. Aliteração: consiste em repetir um mesmo som consonantal em uma sequência de palavras para criar um efeito expressivo de sonoridade.


A gente almoça e se coça e se roça e só se vicia!


13. Elipse (e zeugma)


Elipse: é a omissão, a não - colocação de um termo que o contexto permite ao leitor ou ouvinte identificar com certa facilidade.


"Ando devagar porque já tive pressa
 Levo este sorriso porque já chorei demais."


Nesses versos há a elipse do sujeito eu.


Zeugma: é um tipo particular de elipse que consiste na emissão de um termo já empregado na frase.


"O galo come milho
 O urubu, esterco."
(Zeugma do verbo comer)


14. Pleonasmo: consiste em intensificar o significado de um elemento do texto por meio da redundância, isto é, da repetição da ideia já expressa por esse elemento.


"Quando hoje acordei, ainda fazia escuro (Embora a manhã já estivesse avançada). Chovia.
Chovia uma triste chuva de resignação
Como contraste e consolo ao calor tempestuoso
                                                        /da noite".


"Só Capitu, amparando a viúva, parecia vencer-se a si mesma.


15. Polissíndeto: emprego repetitivo da conjunção (geralmente e ou nem) entre as orações de um período ou período ou entre os termos de uma oração.


"É apenas um sino, mas é de ouro. De tarde seu som sai voando em ondas mansas sobre as matas e os serrados, e as veredas de buritis, e a melancolia do chapadão, e chega ao distante e deserto carrascal, e avança em ondas mansas sobre os campos, o som do sino de ouro."


"Não tinha havido pássaros nem flores o ano inteiro.
 Nem guerras, nem aulas, nem missas, nem viagens e nem barca e nem marinheiro."


Um recurso oposto ao polissíndeto é o assíndeto que consiste em omitir, entre duas orações, a conjunção que poderia ligá-las.


"Acordo para a morte.
 Barbeio-me, visto-me, calço-me."


16. Anáfora: consiste na repetição de um vocábulo (ou expressão) no início de uma sequência de orações ou de versos.


"Tende piedade, Senhor, de todas as mulheres
 Que ninguém mais merece tanto amor e amizade

 Que ninguém mais deseja tanto poesia e amizade


 Que ninguém mais precisa tanto de alegria e serenidade."


17. Anacoluto: ocorre quando a frase sobre uma desarticulação repentina em sua estrutura e, em consequência disso, passa a apresentar um termo sem função sintática alguma.

"/Essa sua mania//suas preocupações com detalhes/ me irritam!"

              ?                          sujeito                               o.d   vtd


18. Silepse (concordância ideológica)


Consiste em estabelecer a concordância entre palavras levando em conta as ideias
que elas exprimem, e não sua forma gramatical.
Na silepse, portanto deixa-se de lado a concordância gramatical e utiliza-se uma concordância mental. Como essa concordância pode envolver o gênero, o número ou pessoa gramatical das palavras, podem ocorrer três tipos de silepse.


Silepse de Gênero: caracteriza-se por uma divergência gramatical envolvendo os dois gêneros (masculino e feminino).


/Vossa Excelência /senhor prefeito, está /enganado/.
        feminino                                            masculino
                            Silepse de Gênero


A expressão "vossa excelência" é feminina, mas no exemplo acima, por se referir a um homem (prefeito), ela contém uma ideia de masculino. O falante então, faz a palavra enganado concordar não com a forma feminina de "vossa excelência", e sim com a ideia de masculino que essa expressão contém.


Silepse de Número: caracteriza-se por uma divergência de forma entre os dois números (singular e plural).


A platéia ficou extasiada com a belíssima apresentação da orquestra sinfônica e, no final do concerto, aplaudiram de pé o maestro e os músicos.


A platéia      <silepse de número> aplaudiram
sujeito no singular                         verbo no plural


Nesse caso a concordância da forma verbal aplaudiram (plural) se fez não com a forma da palavra platéia (singular) e sim com a ideia de plural contida nela (platéia = muitas pessoas).


Silepse de pessoa: nesse caso, ocorre uma desuniformidade das pessoas gramaticais (primeira, segunda e terceira) envolvidas no processo de concordância. Compare, por exemplo, estas duas construções.


/Os jovens//precisam/ participar mais da vida
3° pessoa     3° pessoa


/Os jovens//precisamos/ participar mais da vida política do país.
3°pessoa      1°pessoa


Nesse tipo de silepse, o falante se inclui mentalmente entre os componentes de um sujeito em terceira pessoa. No exemplo, o falante usou os jovens, mas pensou nós (eles + eu) e fez a concordância do verbo com esse pronome. Assim: os jovens + eu = nós > precisamos.


Acredito que /todos//estejamos/ de acordo.
                  3°pessoa  1°pessoa

Sentido Denotativo e Sentido Conotativo

Observe as duas frases:

1- Diante do espelho do restaurante, as duas amigas, já meio bêbadas de vinho, ensaiavam ridículas poses sensuais.

2-No espelho do córrego bailam borboletas bêbadas de sol.

Na frase 1 as palavras destacadas apresentam-se em seu sentido comum, usual, cotidiano. O contexto possibilita-nos entender espelho como um "objeto de vidro polido que reflete a imagem" e bêbadas como "alcoolizadas". Essas palavras foram empregadas em sentido denotativo ou literal.

Na frase 2, o novo contexto leva-nos a reinterpretar as duas palavras. A expressão      
"do córrego" traz uma informação que nos permite concluir que "espelho" não é, aí, um objeto de vidro polido, e sim a superfície plana e brilhante da água do riacho. Quanto a bêbadas, não podemos evidentemente, interpretá-la como "alcoolizadas", além disso, sol não embebeda ninguém. A palavra bailam, que literalmente significa "movimentam o corpo ao som de uma música", adquire um novo significado. Percebemos, então, que essas duas palavras -bailam e bêbadas- fazem referência ao voo suave e aparentemente confuso das borboletas sobre a superfície do córrego.
Na frase 2, as palavras em destaque foram empregadas em sentido conotativo, também chamado de sentido figurado.
As frases 1 e 2 deixam claro, portanto, que as palavras podem ser empregadas de maneiras diferentes.

Assim:

Sentido
denotativo- literal, comum, usual, "de dicionário".
conotativo- figurado, dependente de um contexto particular.

As diferentes possibilidades de emprego conotativo das palavras constituem um amplo conjunto de recursos expressivos a que se dá o nome de figuras de linguagem .